Delírios de Ophélia

Madrugada

Embora pareça tarde

É ainda madrugada

Perto do pouco que dormi

Aquele foi o último poema

Que escrevi a você

A luz do sol entra pela fresta da cortina

O caminhão de lixo passa alegremente

É interessante observar a alegria com que trabalham os gatos

Embora vivam de restos

Não os vejo

Ainda estou inerte na cama

Na companhia de meus pensamentos

E ao som alegre que produzem os garis

O brilho do sol no teto

Muda a todo instante

O movimento de carros na rua vai aumentando à medida que o sol vai se abrindo

Eles causam efeitos no teto do meu quarto

Eu ainda deitada

Depois de uma noite mal dormida

Com um pouco de dor de cabeça

Aquele foi o último poema que escrevi a você

Já não sei mais se sinto dor

Já não sei mais se sinto amor

Já me acostumei com sua ausência

Mas não escreverei contando meus fracassos e nem minhas conquistas

Aquele foi o último poema que escrevi a você

Ouço um cavalo

Há quantos cavalos nos centros urbanos?

Você pode acusar-me de covarde

Dizer-me que somos almas gêmeas

Falar-me da forte sintonia que temos

Mas não me acuse por tê-la amado demais

E por não mais lhe escrever poemas

Pois não existe mais esperança

Não existe mais nós

Não existem mais poemas a você

Não existe mais você!

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