Delírios de Ophélia

Vai…

Então, mais uma vez você vai…

Vai em busca daquilo que eu posso te dar

Tão aqui

Tão perto

Tão presente

Tão disponível

Tão cuidando de você

Tão… saciando tuas vontades

(talvez esse seja o erro)

Tão… tudo

Mas você insiste em não perceber

Insiste em fingir que não me vê

Insiste em fingir que não vê que me importo

Insiste em fingir que não vê o quanto isso me dói

Você sabe o quanto isso me dói

Mas sou eu aqui

O teu abraço no momento de consolo

Quem seca as tuas lágrimas

Sou eu o teu chá, teu calmante

Quem te dá a mão quando está com medo

E te diz: “vai”

E você confia e vai

Porque sabe que se algo der errado eu estarei ali

Para te amparar, para te socorrer e te reerguer

Sou eu quem teus olhos buscam quando está aflita

Ai minha cabeça

Tudo dói

Minha agonia é aumentada

Pelo toque do interfone

Uma entrega

O presente que comprei para você 

Que ficará aqui 

Assombrando meus dias

Me fazendo pensar em você

Já não vejo mais o que escrevo

Está tudo embaçado

Os dias serão difíceis

As noites longas e de insônia

Como já fora a que passou

Coloco um mantra hindu

Para me acalmar

Quem sabe dormir

Em vão…

A mente dominada pelos pensamentos em você

Em outros lábios…

Em outro corpo…

Em outra cama…

Tento conter o nó na garganta

Isso também é em vão…

Fico me perguntando que dia vou conseguir me livrar de você?

Matar-te dentro de mim?

Apego-me as palavras ríspidas que você me disse

Duras, amargas que ainda entalam na minha garganta

E com elas tento te matar

“Você me sufoca”

Agora sim, fim

Elas doem

Mas você não morre

E viva parte

Atrás de um outro alguém…

De uma outra cama…

Mas está comigo o tempo todo

Num instante fala em casar-se comigo

No outro, que tudo mudou

No terceiro, planos e viagens ao meu lado

Fico submersa em tua confusão

E tomo um banho de chuva

Em minhas próprias lágrimas

Sou tomada por um desejo absurdamente antagônico

De mandar você sumir

E te esconder só para mim

Mas chegará o dia em que beijá-la

Ou comer um pastel frio e murcho de ontem

Terá o mesmo nível de importância

E poderei gritar no teu portão:

Já não sei mais o que sinto, se sentir me faz sofrer
Já não vejo mais beleza, eu só vivo por viver
Quero o teu olhar de volta, quero a tua mão em mim
Quer saber? Já não me importa
Some! Eu não te quero aqui!

Agora vai
Não quero a tua marca em mim
Me deixa em paz
Segue o teu rumo, eu vou seguir
Agora vai
Cansei da tua confusão
Vou ser feliz sem teu lugar no coração”

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2 comentários em “Vai…

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