Delírios de Ophélia

Quando te amei

Para o dicionário, Amar é afeição profunda a outrem, a ponto de estabelecer um vínculo afetivo intenso, capaz de doações próprias, até o sacrifício. Dedicação extrema e carinhosa. Sentimento profundo e caloroso de atração que um sexo experimenta pelo outro. Apego. Carinho, ternura. Cuidado, zelo.

Descobri que não era mais apaixonada quando a necessidade de cuidar de ti me consumiu. A preocupação exagerada fazia parte dos meus dias. Desejava todos os dias que seu dia fosse bom, nunca  te desejei  um bom dia da boca para fora.

Bom dia!

Comeu?

Você está bem?

Precisa de alguma coisa?

Tá doente? Tomou remédio?

Foi quando percebi que você havia se tornando o meu Krishna.

O amor está nos pequenos gestos. No dia a dia, em atitudes simbólicas, que não significam nada aparentemente, mas significam muito.

Descobri que te amava quando transformei nossas discussões em ensinamentos, com o objetivo de me tornar uma pessoa melhor, melhor pra você. Pra que você enxergasse em mim coisas boas, como bondade, zelo, afeto e amor. Diante disso os defeitos seriam menores aos seus olhos, mas não deixariam de existir.

Te amei quando criamos laços através da afinidade que nos uniu e nos deixou cada vez mais próximas, laços cada vez mais estreitos, apertados – talvez tenhamos apertado demais, talvez tenha sido meu erro…

Te amei quando resisti a toda mágoa que me causou, fingindo que não era importante, mesmo estando despedaçada, mesmo passando noites sem dormir, mesmo chorando, enxugava as lágrimas e sorria pra você, para que você não sofresse com a minha dor.

Te amei todas as vezes que te surpreendi, com gestos, surpresas e presentes. Sempre atenta aos seus interesses, desejos e vontades.

Te amei quando não tive medo ou vergonha de me declarar, mesmo morrendo de medo e de vergonha. Te amei todas às vezes que demonstrei o quanto era importante pra mim, o quanto era essencial em minha vida – “o essencial é invisível aos olhos”, mas fundamental ao coração.

Te amei quando coloquei as minhas vontades e a necessidade da sua presença acima de qualquer coisa, até de você mesma. Fui egoísta, mesquinha, mimada, obcecada.

Te amei todas as noites que sonhei com você, como foram maravilhosos esses sonhos, como éramos felizes, muitas vezes não conseguia distinguir sonhos da realidade, de tão alegres que éramos. Ríamos de tudo exageradamente, como eram nossos dias…

Te amei por seus vestidos longos, pelo seu café, por sua comida, pelos textos que escrevi pra ti. Te amei pelo cachorro, pelas conversas intelectualizadas demais, pelo excesso de bobagens.

Te amei todas às vezes que você usou verde, embora eu odeie verde. Mas você fica incrivelmente maravilhosa, como também com qualquer outra cor.

Te amei até pelos palavrões, pois até eles soam doces quando saem da sua boca. É o jeitinho que você diz doce, delicado, lindo, como você é. O timbre da sua voz em minha memória, teu sotaque, jeitinho meigo e o “puta merda” mais lindo que alguém já disse. Desculpa, mas o amor é assim, brega, meloso, piegas e exagerado.

Te amei quando precisei ter paciência de esperar você solucionar, ou tentar solucionar seus conflitos com você mesma.

Te amei nos seus dias de fúria, nos seus dias sensíveis de TPM. Te amei quando você chorou de agonia, de preocupação.

Te amei ainda mais quando parti, quando me afastei, deixando você ir. Doeu, doeu muito, dizer que não dói mais seria enganar-te, enganar-me. A ferida está aberta, talvez nunca cicatrize, talvez nunca deixe de existir.

Te amei todos os dias que tentei te matar dentro de mim e não consegui. Te amei quando perdi a força para lutar por ti, por esse amor.

Mas amor é chama que não se apaga e lá dentro de mim ainda existe uma faísca que insiste em queimar, e inconscientemente insisto, ainda que agora distante.

Não sei o que será agora que parti, pois “o amor é como o mar, seduz e afoga”.

Mas parti, por respeito.

Por amor!

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