Delírios de Ophélia

Terra Nova

Finalmente se sentia liberta daquele relacionamento quase doentio. O ponto final veio antes que as coisas saíssem do controle e se tornassem mais tensas e agressivas do que já estavam. Naquele dia Ana não teve dúvidas, ligou para Pablo, seu melhor amigo e o chamou para irem para balada.

Ana não sabia se de fato estava livre, ou estava se esforçando para sentir-se assim. A vontade era tamanha que procurava não pensar nas coisas que aconteceram, em todo sofrimento que Fernanda a fizera passar. Reportava-se a ex como “aquela louca, foi um erro, jamais poderia ter insistido naquela relação, sabia que não daria certo”.

Mas ainda que tentasse se distrair com outros assuntos, as lembranças de Fernanda ainda a atormentava. O carinho, a delicadeza, a gentileza…. tudo jogado fora pela impulsividade, o ciúme doentio, o descontrole emocional, a agressividade.

Lamentava-se do fatídico velório… amaldiçoava o dia que conhecera Fernanda, a louca. Tinha vontade de socar a cara dela, só para depois encher de beijos. Pedira muitas vezes para que ela procurasse ajuda psicológica, todas às vezes que brigavam ela prometia que iria, mas não se movia. Ela não estava conseguindo lidar com a perda do pai, as coisas estavam difíceis para ela, Ana era paciente, mas chegou no seu limite com a última briga.

Na verdade Ana já nem sabia mais o que sentia de fato: carência, medo da solidão, amor de verdade ou uma paixão bandida. Sabia de todo o mal que Fernanda lhe causava, mas não consegui se libertar totalmente.

Balançou a cabeça como se fosse para os pensamentos sumirem, deu certo. Colocou seu vestido novo, colado no corpo e foi encontrar Pablo. Tomou algumas cervejas na casa do amigo e partiram para uma nova boate do outro lado da cidade.

A boate estava lotada, embora meio impaciente não desistiu de entrar. Do lado de dentro tudo era muito escuro e a música era péssima. Foi direto para o bar, cerveja em punho e uma cara emburrada pela péssima play list do DJ, embora estivesse se esforçando pensava “o que eu estou fazendo aqui?”, “que inferno, Fernanda. Precisava ser tão difícil assim”.

Neste momento alguém colocou a mão em seu ombro com suavidade, seu corpo inteiro se arrepiou, não queria se virar, reconhecia aquele toque, aquele cheiro, “não é possível”, pensava ela. Virou-se tremendo toda, era ela. Aqueles olhos verdes fixos nela, Ana não acreditava.

Oi, Ana. Que bom te ver! Estava morrendo de saudades.

Fernanda estava visivelmente nervosa, não sabia o que esperar de Ana depois de tudo que aconteceu. Mas quando Ana abriu aquele sorriso lindo que só ela sabe ter, o gelo se quebrou.

Fernanda puxou Ana pela cintura e a beijou, quase a engolindo. Era saudade, desejo, tesão, tudo num único beijo. Não falavam nada, só se beijavam.

Pablo ali do lado só observava e ria, dizia para si mesmo, “sapatão e os seus nunca mais…”, afastou-se rindo.

Fernanda arrastou Ana para o mezanino, sentaram-se no sofá sem as bocas se desgrudarem. Era uma explosão de vontades, de tesão. As mãos percorriam os corpos como se estivessem demarcando território, ou talvez para ver se estava tudo no lugar, vai saber. As duas excitadas… Ana interrompe do beijo, dá uma suave mordida na orelha de Fernanda – sabia que ela morria de tesão com isso – e disse tô toda molhada. Fernanda não pensou duas vezes, pegou seu casaco e colocou no nas pernas de Ana.  E com a habilidade que só ela tinha, rapidamente já estava com a mão debaixo do casaco, do vestido, por entre as pernas de Ana. Afastou a calcinha ensopada e a penetrou ali mesmo no sofá da boate. Ana deu um grito de prazer inaudível pelo barulho do funk.

Pediram uma garrafa de Terra Nova, brindaram, mataram a saudade, a vontade e o relacionamento.  Nunca mais se viram!

 

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