Delírios de Ophélia

Um velório, dois vinhos e um amor…

A primeira vez que ouvi sua voz, meu coração disparou, quase fiquei sem ar.

A primeira vez que a vi, fui a nocaute, o primeiro de muitos que ela me causaria.

Fiquei fascinada pelo seu olhar, puro, transparente, profundo. Ele desabrochou em mim um desejo único de desvendá-lo, conhecê-lo e conhecê-la profundamente.

Eu estava louca para encontrá-la, conhecê-la pessoalmente, sentir o cheiro, o toque, o beijo daquela mulher que estava revirando a minha cabeça, acelerando o meu coração. Esperava ansiosamente a primeira oportunidade para estar com ela. E assim que apareceu, não hesitei, era a minha chance. Tudo bem que era um velório, mas eu precisa vê-la de qualquer jeito. A ansiedade e a curiosidade estavam me consumindo, eu só pensava nela, falava nela queria ela para mim.

Viajei ao seu encontro em virtude do falecimento de um parente, aproveitei a oportunidade para enfim encontrá-la. Cheguei ao local marcado, na hora marcada, esperei por uma hora até que enfim ela surgisse – linda, com aquele sorriso encantador, jogando os cabelos propositalmente, como uma imagem fílmica em câmera lenta. Usava jeans e um casaquinho listrado.

Pedimos um vinho e a conversa fluiu, sem rodeios, sem encenação, éramos nós duas ali naquela mesa, sem máscaras. Duas pessoas encantadas, abrindo-se uma para outra como velhas amigas fazem, contado da vida, sonhos e frustrações, desejos e medos. Implicância mútua e muitos sorrisos frouxos, de contentamento, alegria ou já era uma algo mais que surgia. Pedimos outra garrafa de vinho para acompanhar a conversa que não cessava, ao contrário, mais interessante e instigante ficava. Eu queria mais e mais daquela mulher. Conhecê-la mais, tê-la para mim. Queria loucamente beija-la, como não podia e num impulso de desejo segurei a sua mão e acariciei. Ela me olhou dentro dos olhos, um olhar que jamais esquecerei, tinha alegria, ternura, cumplicidade, paixão, todos os sentimentos misturados naqueles olhos. Ela queria um gesto de carinho, mas não esperava e a minha atitude a pegou de sobressalto, mas de uma forma positiva. Ela sorriu e não só com os lábios, mas também com os olhos e eu vi sua alma naquele momento. Sim, ela queria o mesmo que eu. Ela estava tão envolvida quanto eu.

Fomos ao banheiro, matar o desejo que estava nos consumindo. Beijamo-nos com pressa, quase que desesperadamente, como se tivéssemos aguardado por aquele beijo a vida toda. Foi um beijo sôfrego, intenso, profundo, sem hesitar, sem respirar….paramos para recuperar o ar que faltava, não mais que dois segundos e nossas bocas já estavam entregues novamente. O mundo era nós duas naquele banheiro. Na verdade, nem lembrávamos que era um banheiro, que tinha gente do lado de fora, o que importava era só a paixão que nascia ali. Quando paramos pela segunda vez que pude perceber o quão grande era aquela linda mulher, ela me aconchegou em seus braços, me envolveu de uma forma que eu nem tive reação, e nem queria ter, eu queria exatamente estar nos braços dela, com os lábios nos dela, sentir suas mãos percorrendo o meu corpo com uma agilidade única, quase como um polvo.

Estava tudo perfeito, mas tínhamos que sair do banheiro, eu precisava ir embora. Meu álibi precisava de mim. E assim foi. Paramos o carro inúmeras vezes no caminho para entregarmo-nos a paixão com beijos quentes e intensos. Na verdade não queríamos nos separar, mas era necessário, com o coração partido eu tinha que ir embora. Ela não queria que eu fosse, insistiu para que fôssemos para outro lugar, mas eu realmente não podia. E sua atitude acabo desmoronando todo o encantamento da noite.

Fui embora chateada e incrédula com o que acabara de acontecer. Fiquei com o cheiro dela impregnado em mim, não consegui dormir, o cheiro, as lembranças, o encantamento e a decepção não deixaram. Tal atitude não combinava em nada com aquela mulher gentil e fascinante. Eu pensava, “culpa do vinho, nunca podíamos ter tomado duas garrafas”.

Amanheceu e eu peguei a estrada de volta, sem, no entanto, falar com ela novamente.

Durante o percurso ouvi meu celular apitar algumas vezes, era sinal de mensagens, mas só pude olhar quando cheguei a casa e para minha surpresa, era ela colocando um ponto final no que nem havia começado…..

Um velório, dois vinhos e um amor por algumas horas.

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