Delírios de Ophélia

Acrobata no Arame

A verdade…

Palmilho os lugares da cidade na esperança de encontrar

Aqueles lindos olhos que iluminam minha vida

Sim…

Sou escrava…

Dos seus olhos,

Do seu sorriso…

Do seu cheiro…

Ah, o seu cheiro…

Ele me causa profundos espasmos

Torno-me serva dos meus sentidos,

Que são inimigos do meu corpo,

Posso fugir deles…

Mas muito me custa seguir o curso imperioso dos meus nervos,

Da minha excitação,

Não sei…

Sei…

Eu deveria fugir,

Desaparecer,

Esquecer-te,

Pois mal dou passos,

Mal me esgueiro numa rua dos mendigos,

Dos carros,

Da gente mais vil,

Da gente mais alta,

Só uma coisa ouço:

Lá vai ela…

A de coração despedaçado…

A que teve seu amor desprezado…

Tudo se apaga de mim

Isso unicamente brilha

Se um amigo quer referir-se a mim diz:

Aquela pobre coitada que de amor é desprezada!

Aquela que vive de migalhas!

Mas ainda sigo

Procurando encontrar

Numa esquina ou em qualquer lugar

A mulher mais linda

Que faz meu coração palpitar

Não percebo que essa batalha é vã

Sou um exército aberto à inimiga

A derrota é fatal

Mas já sou derrotada, por não tê-la ao meu lado.

Ah se pudesse, como por encanto, mudar os palmilhos

Trazer-te para minha estrada

Fazê-la minha mulher,

Minha parceira

Minha fiel escudeira

Minha amante derradeira.

Assim vivo

Como um acrobata no arame

Inclino-me daqui,

Inclino-me dali,

A sua procura

Sinto como se todo dia, delicadamente

A vida fosse enterrando alfinetes em mim

Um a um aumentando a cada manhã

Na mesma medida que aumenta a dor por não tê-la!

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