Despudores de Ophélia

Quando penso em você é quando não me sinto só

Eu morria de medo do amor.

Oscilava entre agressividade,

A covardia,

Até à servil submissão.

Beijava os pés e os sapatos

De minha amada

Suplicando-lhe que me concedesse

Um pouco de atenção.

Eu, dava-lhe minha alma.

Ficava oprimido,

Dilacerado de angústia

E de vergonha.

Silencioso,

Cruel

E envergonhado de mim mesmo.

Envergonhado por amar tanto

E não ser correspondido.

Ela é graça e beleza,

Imagem de minha plenitude

Do prazer e do charme.

Eu vinha sendo perseguido

Há dias por obsessões eróticas

Ligadas ao sentimento

De minha impotência diante de meu amor.

Eu me vingava nos meus sonhos

Das obsessões e dos meus temores.

Pegava minha bem amada

Como um bruto

Rasgava-lhe a roupa,

Libertava seus seios,

Lacerava suas partes inferiores.

Mexia com ela

Em todas as posições do desejo

E a modelava com frenesi

Seguindo meus caprichos.

E degustava minhas fantasias

E minha submissão terna e reconhecida.

Mas logo que eu a tornava a encontrar,

Seu olhar,

Sua voz,

Seu sorriso

Perturbavam meus fantasmas.

Eu voltava a ser um desvairado

De amor,

De medo,

E de ilusão.

Tomei-a nos meus braços.

O silêncio tornara-se aterrorizador,

Ouvia-se o uivar do vento

Contra as janelas de nosso quarto,

De nosso ninho de amor.

Emocionado por aquele momento sublime,

Chorava pétalas líquidas

De rosas vermelhas,

Com as quais ornamentei

Nossa cama,

Nosso quarto,

Nosso amor.

Aproximei meus lábios dos dela.

Sua boca entreabriu.

Já havia beijado,

Mas cinicamente,

Quase viciosamente para enganar

E para me enganar,

Para fingir o desejo e o amor,

Para me fazer o bem

Fazendo-me mal.

Descobri então o beijo,

O dom do ser que se exaltava

Num sopro e que se

Bebe com a saliva,

Respirando seu hálito.

Mergulhei minha língua

Em sua boca indo tão longe

Quanto possível e

Torcia a língua que vinha

De encontro a mim.

Nossas línguas se misturavam,

Como animais no cio,

Davam nó

Para melhor se amarem.

Jamais experimentara sensação parecida

De potência,

De posse

E de graça.

Nossas salivas,

Suco afrodisíaco.

Nossas línguas,

Sexos exacerbados.

Meu desejo era mergulhar de cabeça nela,

Ir bem fundo, lamber, morder,

Comer, chupar,

Rasgar suas carnes.

Morder seus lábios

Violentamente

Até sangrar.

Suguei seu sangue até encher

Minha boca com o doce

Do mais puro mel.

Ela é meu favo,

Meu fado.

Tornei-me vampiro,

Feroz,

Audaz,

Augoz.

Caí num abismo

De prazer inaudito.

Eu me tornara amante!

Mas não tinha minha amada.

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